sexta-feira, 25 de maio de 2012

Oi!? Vai voltar!??

Diz o lindão do Daniel Peixoto e a Revista Simples Assim que sim.


Se você tinha idade ou ID falsificada pra entrar em boates lá pelo início do século XXI, lembra do estouro nacional que foi o Montage e cantou mooiinto com as amiguês hits como “Benflogin”, "Floor, floor, floor" e “Raio de fogo” nas pistas hypadas desse mundão de meo-déos.

(informação que não precisa, mas tenho que dizer: eu fui no show, eu tava lá... e foi tudo isso mesmo que o caderno “Ilustrada” da Folha de São Paulo disse... um dos melhores shows de 2006)

Então... lá por 2009, a banda encerrou o expediente e o Dani partiu pra carreira solo, mas agora diz que volta. E volta com tudo!

Tem briga bafônica na justiça por conta do nome da banda? Tem.
Tem lançamento de EP com músicas inéditas? Tem.
Tem turnê programada já? Tem.
Tem Montage na Parada Gay de SP ainda esse ano? Tem nada confirmado ainda não. Mas tem eles no Beco SP, lá na Augusta dia 10/06, pós-parada.
Tem mais informação sobre tudo isso? Teeeeemm. Clica aqui!


#todaspira com Dani Peixoto e Leco de volta aos palcos, certo!?
por que você não aproveita e me conta como era sofrer bêbida depois do show só pra chegar perto dos dois!?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Hoje é aquele dia de mostrar ao mundo o quão esclarecido e civilizado você é!
17 de maio - Dia Internacional contra a Homofobia

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Vamos falar sobre sexualidade...


Ou melhor, sobre homossexualidade. Sobre A MINHA HOMOSSEXUALIDADE.
Daí que eu cortei o cabelo. Cortei não, raspei. Num moicano a kind different. But, for me that’s ok. O problema foi a família. Ou melhor. Certas pessoas da família.
O fato é que o corte é recente, eu sou de pouco me lixar pra o que as pessoas vão achar do que eu faço ou deixo de fazer e isto tem se tornado muito mais evidente nos últimos tempos e, exibida que sou, logo postei milhares de fotos do meu brand new hair nas redes sociais. A minha tia viu. A minha tia que me importa, digo. Melhor: a única pessoa da parte materna da família que teve a dignidade de tentar conversar comigo sobre “este momento da minha vida tão pouco comum, porém passageiro, mas que ela estava disposta a compreender e ajudar a superar”.

Humm.. not, hein!

Bom ela viu e se disse “decepcionada” com a minha atitude. E isto eu soube pela prima-quase-irmã, filha dela, que, lindinha que é, me preparou pros momentos de tensão avisando do estado de ira e reprovação no qual a mãe dela se encontrava.
Eu, que tenho fogo no cu, resolvi ligar já tarde da noite “só pra atormentar” e acabei em discussões filosóficas com a tal tia sobre “a essência da pessoa”, “os direitos de ser” e o livre arbítrio versus sociedade. No resumo da ópera, ela deixou claro que não achava que “aquela era eu” - WHAT!?, que eu estava “passando por uma fase rebelde na tentativa de mostrar algo que eu achava que era, mas que na verdade não era” porque, afinal de contas, ela me conhece desde as fraldas e “sabe que eu não sou assim”... e tudo isso cutucou não o fato de eu ter feito o caralho a quatro com meu cabelo, mas a suposta aceitação que ela tem das minhas escolhas.
Hoje eu sou uma pessoa de voz muito mais firme pra dizer o que eu acho, o que eu sinto, o que eu penso... até porque, tudo hoje é mais consistente e tem mais embasamento nessa minha cabecinha. O tempo me deu isso..
Mas voltando. A gente conversou, não chegou a lugar nenhum... só ao fato de que ela não concordava “com esse jeito que eu estava tomando” e aí eu fui arrumar casa de fone no ouvido, cantarolando e sorrindo, tentando não pensar no assunto, até que o cansaço bateu, a graça murchou, o sorriso desfez... e não teve como não pensar: eu acreditava mesmo que ao menos ela me aceitaria, que, de tudo, algum dia eu ainda iria passar a noite de natal com ela e de mãos dadas com a minha esposa, com todo o resto da família me olhando torto, me engolindo à seco, mas com ela me olhando com naturalidade. Eu acreditei nisso. Até agora.
Cortei meu cabelo a dois dias e, apesar de termos nos esbarrado várias vezes pela casa nesse tempo, só hoje, quando precisei ir ao quarto da minha mãe pegar o telefone sem fio.. só hoje ela notou. E sabe aquela cara que a gente faz quando tá na casa de um conhecido, com o sujeito do lado e a gente abre a panela de arroz e tá estragado? Foi essa a cara que ela fez. 

Algo como essa cara da querida Torlone.

Não importa o que ela falou depois. Não importa mesmo. Eu não espero nada além de poder estar longe dela o quanto antes, mas a minha tia... eu achei que ali, que nela, residia uma família com a qual eu pudesse contar. Não. Tá errado. Eu posso contar. É que acreditei que algum dia ela iria me aceitar de verdade, sabe... parar de achar que isso era uma coisa passageira e parar de insistir pra eu também acreditar nisso.
Daí eu pensei, sabe, naquele mundo de sonhos que eu construo sempre que encontro com a mulher que escolhi pra minha vida... a casa na árvore, o balanço, a cozinha, o futuro... e quando eu pensava nisso, eu pensava na gente se visitando no final de semana, na mesa cheia e eu tendo ali na minha frente aquela mulher que sempre foi o meu ideal de mãe, que sempre foi muito mais minha mãe que a minha própria, o colo pro qual eu corria quando não tinha meu pai por perto. E tudo isso foi ruindo na minha cabeça e doeu pensar que vão ter menos vozes ecoando pela casa no domingo.
Acho que porque sempre fui sozinha, sempre quis uma casa cheia. Casa pra mim precisa ter vida eclodindo em cada fresta, sons ululantes de rádio, playlists de computador, telefone tocando, gente falando, cachorro, gato e pelicano fazendo algazarra... tudo ao mesmo tempo. E agora eu sei que não vai ter ela. Não sempre. Não de uma forma natural, como quem visita o casal hétero. Caiu a ficha. E doeu. A gente fica longe das pessoas e esquece o quanto pode se magoar. A gente idealiza e monta um outro alguém em cima de quem essas pessoas realmente são.
Desculpa, tia... mas eu gosto de buceta. Vai ser bem ruim não te ter sempre por perto, porque eu achei que ia. Eu queria você lá pra ver meus filhos crescerem, mas se pra você é demais a minha cabeça raspada, o meu jeito meio macho e a minha felicidade ao lado de uma mulher incrível e cheia de qualidades, tudo bem... eu te respeito. Me respeita também, ok?
Você ainda é a mãe que eu nunca tive.
E eu ainda sou lésbica.